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Neste contexto, o esforço feito na prospecção sistemática de uma vasta superfície e no registo espacial das ocorrências nela detectadas, seguindo uma metodologia que já antes tínhamos aplicado noutros locais (no sítio languedocense do Xerês de Baixo, em Monsaraz, v. RAPOSO e SILVA 1982; no sítio do Paleolítico Médio de Cabecinha, Tires, v. CARDOSO 1982; e no sítio acheulense do Monte do Famaco, em Vila Velha de Ródão, V. RAPOSO 1987) veio revelar-se do maior interesse e capacidade informativa, podendo constituir um exemplo de metodologia a seguir em casos idênticos, mesmo quando aparentemente se afigure de pouca utilidade.
6.3. Sondagens mecânicas
6.3.1. Condições de recolha
Conforme se indicou anteriormente (ponto 5.2.) o conjunto de valas de sondagem abertas através do recurso a retroescavadora na zona a ser coberta pela estação de serviço, por isso expropriada e livremente disponível para a intervenção arqueológica, foi realizada sob condicionantes que determinaram a modalidades de recolha dos conjuntos líticos nelas detectados.
Na medida do possível, as terras removidas das valas foram espalhadas pelo solo, nas suas imediações, de tal modo que se tornasse reconhecível a proveniência estratigráfica das mesmas. Depois de observada a estratigrafia patente nos perfis postos a descoberto os respectivos horizontes arqueológicos, aliás de identificação simples, de acordo com a sequência-padrão do local, procedeu-se à recolha, tanto quanto possível completa, mas de modo nenhum exaustiva, dos artefactos visíveis nos respectivos taludes e nas terras espalhadas à superfície.
Constituiu-se assim um conjunto total superior a dois milhares de peças (quadro 4). Os diferentes quantitativos de peças recolhidos em cada vala derivam mais da sua extensão e da intensidade da procura de peças das terras retiradas, do que de padrões de maior ou menor concentração efectiva da indústria. A vala nº. 4, por exemplo, onde apenas se registam 24 peças, é disso exemplo: trata-se de vala aberta mais tarde, já depois de realizadas as nossas operações de campo e para efeitos específicos da obtenção das amostras de sedimentos pelo método da TL/OSL. As recolhas, escassas, ali realizadas, decorreram do acompanhamento que fizemos de tais trabalhos.
6.3.2. Caracterização tecno-tipológica sumária
As observações anteriores justificam que não tenhamos dado especial significado às variações tecno-tipológicas documentadas entre cada vala de sondagem, que aliás, com excepção da nº. 4, pelas razões apontadas, apresentam valores muito semelhantes.
Assim, os aspectos mais relevantes a reter são os que decorrem da apreciação dos quantitativos globais registados e expressos tanto no quadro 4, como na figura 21 (gráfico inferior). A estrutura tecno-tipológica geral do conjunto é muito semelhante à que já havíamos reconhecido na área objecto de prospecção sistemática de superfície, a saber: importante representação dos núcleos (mais de 20%), com especial relevo para os fragmentos (10%), e das lascas de debitagem (62%); escassez das esquírolas (14%) e dos utensílios sobre lasca (menos de 2%); presença apenas vestigial dos seixos talhados (0,2%).
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