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Ponte Vasco da Gama
Este conjunto de factores torna, como se compreenderá, particularmente complexa a geologia destas zonas. E a verdade é que nunca, até hoje, desde os iniciais esforços de Paul Choffat (v. figura 6), foi realizado o levantamento geológico de pormenor da região entre Alcochete e Montijo. Assim, o único ponto de apoio de que dispusemos, à partida, para o enquadramento geológico do sítio da Conceição foi o da inserção do nível flúvio-marinho nele documentado na sequência de terraços de todo o Baixo Tejo e mais particularmente no chamado “terraço baixo”, situado a cerca de 8-15 metros de altura relativamente ao nível das águas, detectado em diversos pontos da margem direita (principalmente entre o Entroncamento, Golegã e o Pombalinho, mas também em Vila Nova da Rainha, Carregado, Alverca e ainda na bacia do Trancão, em S. Antão do Tojal) e da margem esquerda (em Alpiarça, Almeirim, Benfica do Ribatejo, Muge, Salvaterra de Magos, Samora Correia e Benavente) do rio, mas normalmente em extensões relativamente pequenas, sem nunca atingir o desenvolvimento do “terraço médio”, situado a cerca de 25-40 metros.

Veremos no ponto seguinte como nos foi possível detalhar algo mais este enquadramento geológico, procedendo a uma leitura geomorfológica e paleoclimática que nos habilitou a estabelecer uma proposta de cronologia relativa para a sequência sedimentar observada no local.

3.2. A sequência sedimentar plistocénica do local


O esboço de cartografia geológica da região de Alcochete e Montijo realizada por Paul Choffat, a que acima nos referimos e reproduzimos simplificadamente na figura 6, a partir do registo que um de nós publicou modernamente (CARDOSO e MONJARDINO 1976-77: 10-11), constitui uma primeira plataforma de aproximação ao sítio da Conceição.

Não obstante as insuficiências, desactualização e mesmo imprecisão interpretativa de tal levantamento geológico, nunca acabado, é nele possível detectar que todas as formações quaternárias se instalam a partir de um substracto constituído por depósitos detríticos pliocénicos, que foram abundantemente remobilizados, acabando por se redepositarem, dando origem a novos depósitos, cuja individualização relativamente aos anteriores, de que resultaram, nem sempre é fácil ou sequer possível ao nível da mera observação superficial de terreno. Este facto, leva a que no referido esboço de levantamento geológico, se tenha prudentemente quase limitado a individualização das formações plistocénicas às zonas onde, à superfície do terreno, se podiam observar horizontes de cascalheiras de elementos bem rolados, de origem indubitavelmente fluvial, os quais, no caso que nos interessa, preenchem uma faixa relativamente extensa, paralela à margem, desenvolvendo-se desde o Samouco até Alcochete, a Sudoeste de ambas as localidades.

Depois da formação dos últimos depósitos fluviais plistocénicos, ocorreria a importante cobertura de toda a área por areias e siltes de origem predominantemente eólica, correspondente a uma fase de forte regressão marinha e acentuada aridez climática, observável em extensas áreas do Baixo Tejo, inclusive muito mais para montante, a qual poderá relacionar-se com o apogeu e segunda parte da glaciação wurmiana, embora se possa ter prolongado pelo período pós-glaciário.
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