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No projecto da Nova Travessia foi sempre atribuída
grande relevância às questões ambientais,
com o empenho da compatibilização do empreendimento
com o ambiente em que este se insere. Dado que a Ponte Vasco
da Gama se situa numa zona de importância ecológica
- o Estuário do Tejo - desde logo foi assumido que
a obra se localizaria aproximadamente a 4 km do limite sul
da Reserva Natural de Estuário do Tejo (RNET), para
não perturbar directamente esta zona.
Destaque-se, por outro lado, a ampliação da
Zona de Protecção Especial (ZPE) do Estuário
do Tejo (D.L. 280/94 de 5 de Novembro), em 12.000ha, justamente
como forma de compensação, de um ponto de vista
ambiental, da construção da nova travessia.
Desde o inicio do processo atendeu-se aos Estudos Preliminares
de Impacte Ambiental e aos trabalhos das equipas técnicas
para a Área de Ambiente, procurando assim garantir
que seriam desenvolvidas medidas minimizadoras adequadas aos
impactes que um empreendimento com a dimensão da Nova
Travessia inevitavelmente provoca.
A área de ambiente foi desenvolvida e acompanhada com
grande rigor, como decorre quer dos custos correspondentes
à execução de medidas mitigadoras, quer
da adopção de uma metodologia de avaliação
ambiental que não se restringiu à fase de licenciamento
do empreendimento, isto é, preconizou a sua continuidade
pelas fases de construção e de exploração,
consubstanciando-se através da criação
da Comissão de Acompanhamento de Obra (CAO) constituída
por representantes do Ministério do Ambiente, das Câmaras
Municipais envolvidas no empreendimento, dos representantes
das ONG local e nacional e do Centro de Estudos e Monitorização
Ambiental (CEMA) da responsabilidade da LUSOPONTE.
Esta circunstância é especialmente relevante
porque, para além de possibilitar o acompanhamento
da evolução de impactes ambientais, permitiu
verificar a boa execução de medidas compensatórias
e mitigadoras previstas.
Durante o 1º semestre de 1994 foi realizado um Estudo
de Impacte Ambiental (EIA) para a Nova Travessia Rodoviária
sobre o Rio Tejo. Este estudo foi apresentado à opinião
pública e foi aprovado pelo Governo e pela Comissão
Europeia em Outubro do mesmo ano.
Um dos objectivos deste estudo foi o de recomendar medidas
capazes de minimizar e monitorizar, de modo a reduzir os impactes
ambientais da Ponte Vasco da Gama durante a construção
e a exploração desta.
A Lusoponte, Concessionária para a Travessia do Tejo,
S.A., assumiu o compromisso de implementação
dessas recomendações expressas no EIA e criou
para esse efeito um Centro de Estudos e Monitorização
Ambiental - CEMA, tendo como principais objectivos:
- Implementar os programas de monitorização.
- Estabelecer um registo histórico de valores de parâmetros
indicadores ambientais.
- Acompanhar e avaliar impactes efectivamente causados pela
nova Travessia durante as fases de construção
e exploração.
- Contribuir para a avaliação da eficácia
de medidas mitigadoras preconizadas.
- Registar e fornecer informação aplicável
à elaboração de EIA's para futuros empreendimentos
similares.
A diversidade de zonas ocupadas pela Nova Travessia implicou
a adopção de medidas de minimização
adequadas à especificidade dos impactes.
O CEMA conta com o apoio de consultores externos experientes
no acompanhamento ambiental dos diversos descritores. Na presente
fase de exploração da ponte Vasco da Gama os
descritores qualidade da água, bio-indicadores e macrozoobentos
são monitorizados pelo IPIMAR - Instituto de Investigação
das Pescas e do Mar, os descritores avifauna, e flora e vegetação
são monitorizados pela Naturibérica, o descritor
qualidade do ar é monitorizado pelo ISQ - Instituto
de Soldadura e Qualidade e, finalmente, o descritor componente
acústica é monitorizado pela Engenharia de Acústica
e Ambiente.

Em fase de construção da ponte foram monitorizados
outros descritores entretanto abandonados por já não
estarem relacionados aos impactes associados à exploração
desta Nova Travessia. Esses descritores foram a hidrodinâmica,
a qualidade dos sedimentos de fundo do rio, a ictiofauna,
a herpetofauna e a arqueologia.
Nesta fase foram também elaborados interessantes estudos
sobre os aspectos socioeconómicos locais.
Como medidas de minimização de impactes permanentes
implementadas pela concessionária Lusoponte destacou-se
a recuperação da Capela de Nossa Senhora da
Conceição dos Matos, no Samouco, a instalação
de cerca de 5000m2 de barreiras anti-ruído, a construção
nas salinas do Samouco de três tanques de decantação
e recolha de óleos provenientes das águas de
escorrência da via.
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